Fênix de mim
E não bastava ser como pedra, havia de abstrair-se da dor, negar os sentidos, abafar os gemidos, enganar os instintos, esquecer! E não bastava chorar sem lágrimas, a tortura desumana, o abuso, tinha de reinventar-se apesar do passado apagar as marcas, ultrapassar as feridas, abrigar-se da tempestade alheia sem guarida, tinha de ser super-herói de si, rasgar a roupa velha lavar o corpo magoado, a alma ensanguentada, a vida bagunçada - ir em frente! porque o relógio da vida nunca pára... E já não bastava ser pedra tinha que ser castelo... pedra por pedra Tinha que se reerguer do chão... E apesar de tudo entre as brechas das suas pedras erguidas nasceram flores belas a enfeitar sua nova vida! Daniele Dallavecchia